Skatista Duda Ribeiro é prata na Olimpíada da Juventude em Dacar
A quinta-feira (5) foi marcada pela conquista da medalha de prata para a skatista brasileira Duda Ribeiro durante os Jogos Olímpicos da Juventude, realizados no complexo Tour de l'Oeuf, capital do Senegal. A adolescente, moradora de Maricá-RJ, se classificou para a final do skate street ao somar 134,74 pontos na classificação geral, sendo a única competidora a ultrapassar os 50 pontos na primeira das três voltas — com um desempenho de 62,21 pontos.
Na disputa final, Duda Ribeiro arrecadou 138,28 pontos e terminou em segundo lugar, atrás da chinesa Zhu Yuanling que conquistou o ouro com uma pontuação de 149,82. A canadense Evie Pritchard completou o pódio com o bronze, ao somar 137,79 pontos. O resultado representa a terceira medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos da Juventude — após Clarisse Vallim ser campeã no judô e Ana Júlia Amaral faturar o bronze na prova dos 100 metros borboleta.
Desempenho técnico e trajetória atletica
O desempenho de Duda Ribeiro foi destacado por especialistas técnicos que analisam os padrões de evolução esportiva em competições internacionais. Rogério Manosa Mancha, consultor técnico da seleção brasileira de street skate, afirmou que a atleta é um caso particular: "Ela está no ranking, buscando vaga para [Olimpíada] Los Angeles e é muito curioso porque ela começou a andar de skate depois de ver o esporte em Tóquio. Então, assim, se analisar, se trata de uma atleta ganhindo medalha de prata hoje, que nem sabia da existência do skate antes de Tóquio, isso é muito grande".
Segundo Manosa, Duda Ribeiro entrou na prática com apenas 12 anos de idade — após assistir ao evento olímpico de Tóquio, onde foi apresentado o esporte como parte dos Jogos Olímpicos da Juventude. A trajetória mostra um crescimento acelerado: no mês anterior, a skatista conquistou o ouro nos Jogos Sul-Americanos em Santa Fé (Argentina), demonstrando consistência técnica e capacidade de adaptação às exigências do skate street internacional.
O apoio público e a influência de torcedores
Duda Ribeiro ressaltou na entrevista com a Agência Brasil a importância do ambiente de torcida presente durante as competições. "A torcida sempre faz diferença quando estou na competição", afirmou a atleta, destacando que o clima coletivo no complexo Tour de l'Oeuf gerou motivação constante ao longo das provas.
Entre os torcedores presentes, destaca-se Rayssa Leal — medalhista olímpica em Tóquio 2020 (prata) e Paris 2024 (bronze), além de ser embaixadora global dos Jogos Olímpicos da Juventude. A skatista brasileira contou com uma interação direta: "Ela me ajudou demais, ela me mandou mensagem, falou comigo. Eu sou muito grata por ela ter me ajudado".
O contexto geral dos Jogos Olímpicos da Juventude
Os Jogos Olímpicos da Juventude reunem cerca de 2.700 atletas representando 207 países até o dia 13 de novembro de 2026. O evento é organizado pela Fifa e tem como objetivo promover a inclusão esportiva entre jovens de diferentes regiões do mundo, destacando valores como cooperação internacional, diversidade cultural e desenvolvimento sustentável.
A delegação brasileira participou com um total de 35 atletas — 22 masculinos e 13 femininas — distribuídos em diversas modalidades. A presença no Senegal representa uma importante etapa na trajetória da seleção nacional, que busca consolidar sua posição nos eventos olímpicos juvenis ao longo dos anos.
Outros destaques da delegação brasileira
O Brasil conquistou seu primeiro ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude na categoria judô. Clarisse Vallim, de 16 anos e moradora do Rio de Janeiro, venceu a final por ippon contra a russa Anastasiia Dobrovolskaia. Ela se classificou para o pódio após derrotar Arba Hasanaj (Kosovo) e Kayla Zorrilla (Cuba), sendo a única representante do judô no evento.
Na natação, Ana Júlia Amaral — também de 17 anos — foi a primeira atleta brasileira a subir ao pódio nos Jogos Olímpicos da Juventude. Na prova dos 100 metros borboleta, realizada no último domingo (1º), ela completou com um tempo de 1min00s49, conquistando o bronze. O ouro ficou com a russa Serafima Fokina (59s81) e a prata com a romena Daria-Mariuca Silisteanu (1min00s31).
Impacto social e representação do esporte juvenil
O desempenho de atletas como Duda Ribeiro e Clarisse Vallim reflete uma mudança significativa na visibilidade dos esportes juvenis no Brasil. A presença da skatista em um evento olímpico, especialmente após ter iniciado o esporte apenas após ver Tóquio 2020, evidencia que os jovens estão cada vez mais expostos a modalidades não tradicionais — como skate street ou judô — por meio das mídias digitais.
Além disso, a participação do público local e a interação com torcedores de destaque, como Rayssa Leal, mostram que o apoio social é fundamental para o desenvolvimento atletico. O ambiente coletivo no Tour de l'Oeuf foi descrito pela própria Duda como "um dos momentos mais importantes da minha carreira", reforçando a ideia de que esportes juvenis precisam de espaços onde jovens se sintam representados e valorizados.
O futuro da skatista brasileira
Duda Ribeiro está atualmente focada na preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2032, com objetivo de conquistar uma vaga oficial na competição internacional. A trajetória demonstra um crescimento técnico acelerado — desde o início do skate até a finalização de uma medalha em evento olímpico global — e reforça a importância dos programas educacionais que promovem acesso ao esporte entre crianças e adolescentes.
Segundo Manosa, "o fato de ela ter começado depois de ver Tóquio é algo extraordinário: mostra como as mídias podem abrir portas para novos talentos". O especialista destaca ainda que o skate street está se tornando cada vez mais estruturado no cenário internacional, com maior número de seleções nacionais e competições regulares nos países desenvolvidos.
O papel da Agência Brasil na cobertura
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