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Alunos de escola pública em Goiás contam com aulões para o Enem

Estudantes do Colégio Estadual em Período Integral (CEPI) Maria Abadia Salomão, em Luziânia (GO), utilizam aulas especiais e apoio pedagógico para se prepararem para o Exame Nacional do Ensino Médio. Professores ministram aulões divididos por áreas do conhecimento, destacando a importância da interpretação das questões e da prática constante dos alunos.

Alunos de escola pública em Goiás contam com aulões para o Enem

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O contexto do Enem na educação goiana

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um dos principais instrumentos de avaliação da formação escolar no Brasil, servindo como base para acesso ao ensino superior e para seleção de vagas em programas públicos. Em estados como Goiás, onde há uma ampliação das oportunidades educacionais nas escolas públicas, os estudantes do último ano do ensino médio estão cada vez mais envolvidos em estratégias específicas de preparo para a prova.

Em Luziânia, capital do município de 108 mil habitantes, o Colégio Estadual em Período Integral (CEPI) Maria Abadia Salomão tem se destacado por promover iniciativas pedagógicas voltadas ao Enem. A instituição, que atende alunos do Ensino Fundamental e Médio com regime integral, integra um sistema público de educação que busca equilibrar qualidade dos conteúdos e acesso aos estudos, especialmente entre os jovens que não têm condições de frequentar cursos particulares ou aulas complementares fora da escola.

O modelo dos aulões no CEPI Maria Abadia Salomão

Os aulões oferecidos pelo CEPI Maria Abadia Salomão são estruturados como atividades extras realizadas dentro das dependências escolares. O formato é dividido por áreas do conhecimento — matemática, física, redação e outras disciplinas — permitindo uma abordagem mais focada e eficaz para cada tema específico do Enem.

Dentro desse processo, o professor Luiz Henrique Domingos do Nascimento, que ministra as disciplinas de Matemática e Física no colégio, destaca que os aulões têm um modelo dinâmico diferente da metodologia tradicional das aulas regulares. "Começa ali descontraído, tem um lanche, depois entra nos aulões", afirmou ele em entrevista à Agência Brasil. Segundo o docente, essa abordagem cria um ambiente menos rígido e mais acessível aos alunos, favorecendo a concentração e a absorção dos conteúdos.

O professor ressalta ainda que o objetivo principal dessas sessões é romper com a rigidez do ensino convencional. "A gente sempre tenta fazer algo mais dinâmico nesses alunos e o feedback sempre é bom, eles gostam muito, conseguem absorver muito, porque sai um pouco da metodologia clássica", explicou. Esse modelo de preparação tem sido bem recebido pelos estudantes, especialmente por aqueles que já enfrentaram dificuldades em se manter motivados durante as aulas regulares.

A importância da interpretação das questões

Um dos pontos centrais abordados pelo professor Luiz Henrique Domingos do Nascimento está na necessidade de treinar os alunos para interpretar corretamente cada questão do Enem. "Muito da dificuldade dos alunos é interpretar a questão", afirmou ele ao destacar uma barreira comum no nível nacional — o domínio da língua portuguesa e sua aplicação nos textos do exame.

O docente explica que, durante as sessões de aulão, ele costuma ler em voz alta as questões, fazendo paralelos entre o conteúdo apresentado e o contexto real. Esse ato não apenas ajuda os estudantes a compreender melhor o enunciado, mas também desenvolve habilidades de leitura crítica e análise textual. "Eu dou um tempo para os alunos tentarem resolver. Depois a gente entra no ambiente de discussão [sobre a solução], se teria uma [forma] alternativa", disse.

Estudantes e suas estratégias individuais

A preparação dos jovens que concluem o ensino médio vai além das atividades oficiais da escola. Muitos alunos organizam seus estudos com base em rotinas pessoais, combinando as aulas do CEPI com tarefas domiciliares e momentos de revisão individual.

O estudante Silas Cardoso, de 17 anos e pretendente a cursar contabilidade, relata que conciliou os aulões com estudos em casa e com as demais obrigações diárias. "Eu estou tentando manter uma rotina balanceada para não ficar sobrecarregado com os estudos", afirmou. Ele destaca que tem maior facilidade com matemática — área das exatas — mas reconhece o desafio da redação como sua principal dificuldade.

Redação: um dos maiores pontos críticos

A redação é considerada por muitos estudantes do Enem como a prova mais complexa, especialmente devido à exigência de domínio linguístico e criatividade. Emily Pereira, estudante de 17 anos inscrita para o curso de Agronomia, conta que enfrenta grandes dificuldades nesse tema. "Em grande parte tenho muita dificuldade em redação", disse ela ao explicar seu processo de preparo.

Para superar esse obstáculo, Emily desenvolveu uma rotina consistente: escreve uma ou duas redações por semana, com revisão feita junto aos professores e amigos que têm maior experiência na área. Além disso, busca ampliar seu repertório lendo notícias, livros e materiais educacionais disponíveis online. "O objetivo é construir um vocabulário mais amplo e compreender diferentes estilos de escrita", afirmou a jovem.

O papel dos colegas no aprendizado

Muitos alunos também contam com o apoio de grupos de estudo formados entre pares. Emily Pereira menciona que atualmente está estudando em grupo com alguns amigos, realizando sessões semanais nas casas uns dos outros — geralmente aos sábados, por uma ou duas horas. Esse tipo de interação permite não apenas revisar conteúdos, mas também compartilhar dicas, resolver dúvidas e se motivar mutuamente.

Esse modelo coletivo é amplamente valorizado pelos professores da escola como um fator positivo no processo educacional. A troca de experiências entre os alunos fortalece a construção do conhecimento e promove o desenvolvimento social e emocional necessário para enfrentar provas importantes.

A experiência prévia e a redução do nervosismo

O estudante Ana Laura, de 18 anos, que está em dúvida entre cursar odontologia ou biomedicina, destacou que já participou anteriormente do Enem como treineira — uma atividade realizada com o objetivo de simular as condições da prova real. "Foi uma forma de me preparar para esse ano, porque eu já tenho um pouco de noção de como é a prova de como é o meu tempo de prova", explicou ela.

Essa vivência previa foi fundamental para diminuir os níveis de ansiedade e nervosismo associados à prova oficial. Segundo Ana Laura, ter feito a experiência antes ajuda a criar confiança na própria capacidade de desempenhar bem nas questões reais do exame. "Acho que tira um pouco do nervosismo que a gente tem no dia", afirmou.

Estratégias de descanso e equilíbrio emocional

O processo de preparação para o Enem não se limita apenas ao estudo acadêmico; também envolve cuidado com o bem-estar psicológico dos jovens. Ana Laura conta que, além das atividades escolares, pratica vôlei como forma de relaxamento. "O que eu mais faço para me distrair assim é jogar, eu gosto bastante e eu acho que tira a gente daquela aflição", disse ela.

Assim como em outras instituições educacionais do país, os alunos do CEPI Maria Abadia Salomão reconhecem a importância de manter um equilíbrio entre estudo e lazer. A prática esportiva ou o consumo de filmes são considerados elementos essenciais para evitar o desgaste emocional causado por longos períodos de concentração acadêmica.

O impacto das políticas pedagógicas na escola pública

A iniciativa dos aulões no CEPI Maria Abadia Salomão representa uma resposta concreta às demandas da educação popular em Goiás. Ao oferecer atividades específicas voltadas ao Enem, a instituição demonstra comprometimento com os objetivos de inclusão e acesso à formação superior, especialmente entre jovens que não têm condições financeiras ou geográficas para participar de cursos privados.

Esses esforços são parte de um maior movimento nacional de fortalecimento das políticas educacionais públicas, onde escolas municipais buscam se tornarem centros ativos de preparo acadêmico. A experiência do CEPI Maria Abadia Salomão pode servir como modelo replicável em outras unidades escolares do estado, especialmente nas regiões periféricas ou menos favorecidas por infraestrutura educacional.

O papel dos professores e da formação docente

A eficácia dessas ações pedagógicas depende diretamente da qualificação dos profissionais que as conduzem. O professor Luiz Henrique Domingos do Nascimento é um exemplo disso: ele está registrado no programa Ensina Brasil como "professor trainee", o que indica sua participação ativa na formação de docentes com foco em inovação metodológica, especialmente para provas nacionais.

Esse tipo de treinamento permite aos educadores adotarem abordagens mais modernas e adaptadas às necessidades reais dos alunos — desde a dinamização das aulas até a prática de técnicas específicas de leitura e interpretação textual. A presença desses profissionais qualificados dentro da escola pública reflete uma evolução significativa nos processos pedagógicos do sistema estadual goiano.

O futuro do Enem nas escolas públicas

A trajetória do CEPI Maria Abadia Salomão no preparo para o Enem mostra que as escolas públicas podem, com políticas bem estruturadas, oferecer condições semelhantes às privadas — não apenas em termos de infraestrutura, mas também na qualidade dos conteúdos e das metodologias utilizadas. A experiência demonstra que a combinação entre apoio institucional, formação docente e envolvimento dos próprios alunos pode gerar resultados positivos tanto acadêmicos quanto emocionais.

Com mais de 10 mil estudantes matriculados ao longo do ano letivo, o CEPI Maria Abadia Salomão é um exemplo emblemático da possibilidade de transformações educacionais dentro do sistema público brasileiro. Seu modelo de preparação para o Enem não apenas ajuda os jovens a se prepararem melhor para uma prova nacional, mas também fortalece sua autoestima, motivação e capacidade de enfrentamento frente aos desafios futuros da vida profissional.

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